Bem-estar após o parto
Um bebé altera por completo a vida dos seus pais. Caso este seja o seu primeiro bebé, é natural que ainda sinta alguma estranheza face ao novo papel que irá desempenhar. Encare-o como um grande mas belo desafio na sua vida!
Nas primeiras semanas de vida, os bebés ocupam todo o tempo das suas mães e dos seus pais, de tal modo e com tal intensidade que por vezes não fica nem uma hora disponível para tarefas “secundárias” como limpar e arrumar a casa. Terá de aceitar que com esta idade todos os bebés choram de acordo com um estudo científico em média duas horas por dia.
Este guia pretende acompanhá-la ao longo de todas as fases do desenvolvimento do seu bebé durante o seu primeiro ano de vida. Descreve com exatidão as necessidades quotidianas do lactente em crescimento.
Fornece-lhe pistas sobre como resolver os pequenos problemas diários e como identificar os sintomas que poderão exigir a intervenção de um médico.
A relação com o parceiro
As responsabilidades inerentes à maternidade e à paternidade irão com certeza alterar e refletir-se na sua relação com o seu parceiro, bem como em todo o modo de vida do casal. Deixam agora de formar unicamente um par que partilha os seus interesses comuns, passam a ser os pais de um pequeno ser humano cujas necessidades têm de ser atendidas “24 horas por dia”. Uma vez que a satisfação dessas necessidades ocupa a maior parte do seu tempo, é natural que o seu parceiro se sinta negligenciado. A única maneira de evitar isto será incluí-lo e chamá-lo a participar na sua vida com o bebé. Para o recém-nascido não é só importante a ligação a si, a mãe, mas também ao pai.
Na relação entre a mãe e a criança o pai não deve de maneira alguma ser excluído. Mudar fraldas, dar banho, dar carícias e pôr o bebé a arrotar depois de comer são oportunidades para o pai e a criança aprofundarem a sua relação. A ternura, as carícias, o contacto intenso e de perto, são muito importantes, mais ainda nesta fase inicial, e muito agradáveis para todos os envolvidos. Deixe que também o pai experimente e desfrute estas primeiras semanas.
As necessidades das crianças mais velhas
Também o irmão mais velho ou a irmã terão de se habituar ao seu novo papel. Antes de a mãe chegar a casa com o novo bebé, era ele ou ela o centro das atenções. Agora é obrigado a constatar que, de um momento para o outro, tudo passou a girar em redor daquele pequeno bebé, que não sabe fazer outra coisa senão chorar e com quem nem sequer dá para brincar como deve ser. Os irmãos mais velhos poderão mesmo regredir no seu desenvolvimento para atrair mais atenção. Voltam a andar com a almofada dos miminhos de um lado para o outro, precisam de ajuda para comer, voltam a querer beber do biberão e chegam mesmo a voltar a molhar a cama.
Em poucas palavras: voltam a comportar-se como bebés, já que são os bebés que recebem toda a atenção! Deixe que os irmãos mais velhos participem e ajudem quando dá de comer ao bebé, ao mudar a fralda, ao dar-lhe banho. Explique-lhes que também eles já foram pequeninos e que nessa altura receberam toda aquela atenção.
O seu estado emocional
Certas mães apaixonam-se de imediato pelos seus bebés, ao passo que outras parecem precisar de mais tempo para que tal aconteça. Ambas as reações são perfeitamente normais. Normalmente, os sentimentos maternais desenvolvem-se à medida que vai conhecendo melhor o seu bebé e que todas as canseiras dos últimos tempos vão ficando para trás no tempo.
Cerca de 3 a 5 dias após o parto as consideráveis variações hormonais que se processam podem provocar em si vontade de chorar, irritabilidade, fadiga, sentimentos depressivos, tensão, em poucas palavras você pode sentir-se esgotada! Estas quebras no seu humor são normalmente passageiras e não tardam a desaparecer.
Se, no entanto, os seus sentimentos em relação ao bebé a preocupam ou se tiver mesmo a sensação de que você ou o seu companheiro seriam capazes de prejudicar o bebé, deverá pedir ajuda a alguém imediatamente. Fale com a enfermeira ou com o seu médico ou tente arranjar uma maneira de receber aconselhamento psicológico.
Deixe que a ajudem
Não tente ser uma “supermulher”. Se puder, arranje maneira de ter uma ajuda durante as duas primeiras semanas após o parto. Os seus familiares e amigos terão com certeza todo o prazer em ajudá-la nesta situação. Poderão aliviá-la de algum trabalho que não tenha a ver diretamente com os cuidados essenciais a prestar à criança.
Tente relaxar com a maior frequência que puder. Quando o seu bebé estiver a dormir, aproveite essa oportunidade para descansar mesmo que seja apenas ter as pernas em repouso durante alguns minutos.
Também o seu parceiro deverá nesta altura apoiá-la e partilhar a responsabilidade pelas tarefas domésticas, as idas às compras, os cuidados prestados ao bebé ou aos irmãos mais velhos.
Durante a gravidez a maioria das mulheres recebe muitas atenções, mas após o nascimento todos estes cuidados passam a ser orientados no sentido do bebé, da sua saúde e do seu bem-estar. Os visitantes, ao entrar em sua casa, perguntam “Como vai o bebé?”, sendo certo que quase sempre este está bem, mas quem na verdade se sente exausta é a mãe. É comum as jovens mães descurarem a sua própria saúde, talvez por não quererem maçar os médicos com os seus próprios problemas, tais como fadiga crónica ou corrimento persistente. No entanto, a sua boa saúde e o seu estado emocional são tão importantes quanto os do seu bebé.
Dor perineal
Mesmo após um parto normal é comum sentir-se dores na zona do períneo (entre a vagina e o reto) e a pele apresentar-se sensível e magoada.
Se levou pontos na zona perineal, por ter sido necessário proceder a um corte com vista a possibilitar a saída do bebé pela vagina ou por os tecidos terem rasgado, então pode ser que esses pontos se tornem dolorosos e talvez até provoquem inchaços.
Consulte o médico sobre possibilidades de aliviar essa dor.
Lóquios
Com a expulsão da placenta surge uma ferida no útero, razão pela qual, após o nascimento, é normal que ocorra um corrimento manchado de sangue. À medida que essa ferida vai sarando o corrimento vai-se tornando mais acastanhado e menos abundante e após 2 a 4 semanas cessa.
Deverá ir ao médico se após alguns dias voltar a ter uma hemorragia súbita e forte, se o lóquios cessar abruptamente ou se tiver um cheiro desagradável. Utilize apenas pensos higiénicos durante este período e evite ao máximo ter relações sexuais.
Menstruação
Voltará a ter a sua menstruação talvez logo no mês seguinte ao parto, embora também possa demorar até seis meses para que isso aconteça. Se continuar a amamentar, talvez o período só volte depois de começar a desmamar o bebé. Não se esqueça que mesmo que ainda não tenha voltado a ter menstruação, poderá engravidar.