Puerpério
Durante a gravidez o seu corpo sofre diversas alterações físicas e hormonais. Após o parto o seu corpo precisa de um a dois meses para recuperar fisicamente do parto, a este período dá-se o nome de puerpério. Poderá demorar mais algum tempo até que tenha recuperado inteiramente a nível emocional.
As mudanças hormonais do pós-parto, bem como a adaptação à sua nova rotina de cuidados ao bebé e as exigências da maternidade podem afetar o seu humor e deixá-la cansada e sem energia. Estes sintomas são comuns a quase todas as recém-mamãs, mas podem estar associadas a pequenas perturbações psicológicas típicas do puerpério.
A tristeza dos primeiros dias - “Baby Blues”
Três a cinco dias após o nascimento é possível que se sinta deprimida e com vontade de chorar, emocionalmente instável, ora furiosa ora triste, ou mesmo ansiosa. Entre 40% a 60% de todas as mães passam por isso. Julga-se que esta instabilidade emocional esteja ligada às súbitas mudanças a nível hormonal. Na maioria dos casos, esta situação dura pouco tempo, desaparecendo espontaneamente ao fim de 10 a 14 dias após o parto.
Depressão pós-parto
Em termos estatísticos, cerca de 10% a 15% das mães sofrem de depressões após o parto. Esta situação desenvolve-se habitualmente após a saída do hospital, mas pode ocorrer ao longo de todo o primeiro ano após o nascimento.
Não é habitual reconhecer-se de imediato os sintomas, uma vez que se assemelham aos sintomas do “Baby blues”, contudo ao invés de se dissiparem ao fim de uma ou duas semanas têm tendência a agravar-se e prolongar-se no tempo.
Psicose do puerpério
A psicose do puerpério é pouco comum, estima-se que 2 a 4 em cada mil mães possam sofrer deste distúrbio. Os sintomas mais comuns são alucinações, delírios e angústias paranoides. Trata-se de uma patologia que deve ser acompanhada pelo médico da espacialidade, sendo por vezes necessário recorrer-se a tratamento intensivo ou internamento.
Se julga poder estar a sofrer de psicose do puerpério deve recorrer ao seu médico em busca de ajuda. Não se esqueça que se trata de uma doença que carece de tratamento específico e que ao ignorá-la poderá colocar em perigo a sua saúde e a do seu bebé.
Deve estar atenta a:
Dificuldades de concentração e perda de memória;
Perda da noção de tempo;
Sensação de incapacidade;
Insónias;
Perturbação do apetite;
Sensação de irrealidade;
Nível de atividade muito elevado;
Dores físicas ou sensação de mal-estar;
Desinteresse a nível sexual;
Medo em relação à própria saúde e à do bebé;
Indiferença em relação ao bebé.
Consulta do puerpério
Caso não existam fatores que o justifiquem, tais como puérpera em extremos da idade reprodutiva, avaliação de ferida cirúrgica ou remoção de material de sutura, dificuldades no estabelecimento e manutenção do aleitamento materno, a consulta do puerpério deve ser realizada entre a 4ª e a 6ª semana após o parto.
Nesta consulta o seu médico irá fazer a “revisão do parto”, onde analisará a sua recuperação física e psicológica após o parto. Esta fase compreende grandes transformações na vida da nova mãe, a adaptação às novas rotinas e cuidados que o bebé necessita, juntamente com as grandes alterações hormonais deste período podem provocar algumas alterações de humor, irritabilidade, pequenos episódios de ansiedade ou crises espontâneas de choro.
Muitas vezes as mães sentem alguma culpa nestes sentimentos, mas devem saber que é um estado bastante comum e que deve desaparecer sem necessidade de qualquer tratamento entre 10 a 14 dias após o parto. Se pelo contrário estes sintomas persistirem ou mesmo se se agravarem deve agendar uma consulta com o seu médico para que possa ser acompanhada corretamente.
Do ponto de vista físico esta consulta é um marco para retomar a sua vida “normal”, retomar o exercício físico e atividade sexual, focando-se em si e na sua relação e percebendo como é possível retomar a sua vida conjugal e social incluindo agora o seu bebé.
É importante que alerte o seu médico para qualquer queixa que possa ter e que considere uma sequela da gravidez.
A consulta do puerpério encerra o acompanhamento da sua gravidez, deverá assegurar-se que se sente esclarecida e pronta para retomar a sua vida normal a partir deste momento. Poderá levar consigo uma lista de todos os pontos que queira abordar com o médico de forma a sair da consulta confiante, se estiver tudo bem não irá vê-lo com a mesma frequência daqui em diante.
Relações sexuais com o parceiro, para quando?
Deverá esperar até que a cicatriz de uma episiotomia tenha sarado por completo, o que demorará na maioria dos casos três a quatro semanas. Não se precipite nem apresse nada.
Redescubra lentamente com o seu parceiro o fascínio da intimidade e da sexualidade. Muito embora possa até não ter dores, o mais provável é que a vagina esteja ainda pouco lubrificada, pelo que será aconselhável a utilização de um creme lubrificante.
Lembre-se de usar um creme hidrossolúvel se utilizar um preservativo, pois os cremes lipossolúveis poderão danificar a borracha do preservativo. Caso continue a sentir dores e tenha dificuldades em ter relações sexuais normalmente, deverá falar acerca disso com o seu médico.
Pele e cabelo
Agora que o seu bebé já nasceu promova a recuperação das estrias provocadas pela gravidez com a utilização de um creme ou de óleos específicos e de massagens.
Passados dois ou três meses do parto, muitas mulheres constatam que o seu cabelo se apresenta seco e com tendência para cair.
Tal deve-se às transformações hormonais que visam repô-la no estado em que estava antes da gravidez.
Incontinência de esforço e perdas de urina
Algumas mulheres verificam durante a gravidez que, ao tossir ou rir vigorosamente, a bexiga liberta pequenas quantidades de urina. Esta incontinência, que resulta em perdas involuntárias de urina sofridas pela bexiga, poderá começar logo quando o efeito das hormonas da gravidez, que relaxam a musculatura da bexiga, se faz sentir. Quando a incontinência ocorre perto do fim da gravidez, algumas mulheres julgam erradamente tratar-se de líquido amniótico resultante do rebentamento das águas.
O mais frequente é a incontinência verificar-se após o nascimento, por os músculos do pavimento pélvico terem sofrido um esforço de estiramento muito forte durante o parto. Uma série de exercícios que visem tonificar estes músculos poderá ajudar a recuperar a firmeza do pavimento pélvico e este problema tende a desaparecer nos meses que se seguem ao parto. Se alguns meses após o parto a incontinência persistir, deverá pedir ao seu médico que lhe prescreva tratamento adequado.
Se bem que seja raro, pode acontecer que os músculos da bexiga e da uretra tenham sido de tal modo solicitados por uma anestesia epidural, por um parto com fórceps ou por uma cesariana que as fibras musculares inchem e se contraiam. Isso pode levar à retenção da urina. Esta situação pode ser corrigida pela introdução de um pequeno cateter, que restabelece a tensão normal.
Se as paredes da bexiga estiverem irritadas por uma infecção ou por qualquer traumatismo ocorrido durante o nascimento, esta poder-se-á tornar bastante sensível e reagir contraindo-se.
Quando a urina é conduzida dos rins para a bexiga, esta irrita os nervos na parede da bexiga, provoca uma sensação de estar cheia e surge a vontade de micção. Em casos mais graves poderá mesmo causar incontinência. Uma vez que as origens da incontinência são frequentemente infecções na bexiga, o problema fica muitas vezes resolvido com o uso de antibióticos após prescrição médica, caso contrário terá de aguardar até que os efeitos da contusão tenham passado.